Ficar surpreendido pela realidade, leva à procura

sábado, 8 de novembro de 2014

Para ser professor hoje

Receita dedicada ao professorado.


Os ingredientes do professor hoje são muito variados, mas não podem faltar:
·        A responsabilidade.
·        A capacidade de trabalho.
·        O espírito crítico.
·        A humildade.
·        A proximidade.
·        A tolerância.
·        O dom da palavra.
·        A curiosidade para progredir na sua formação.

Instruções:

Faz-se um refogado numa panela com a responsabilidade, a capacidade de trabalho e o espírito crítico e deixa alourar durante anos, desta maneira é possível obter um excelente ambiente para entrar na sala de aulas.
Depois junta humildade e proximidade e deixa ganhar cor, até que o molho engrosse.
A seguir junta o molho grosso de humildade e de proximidade com o excelente ambiente para entrar à sala estando pronto a leccionar aulas.
Quando esteja a ministrar aulas deve ser eloquente, lançando mão de dom da palavra.
Para acabar a receita não esqueça ao sair do liceu mostrar curiosidade e progredir com a sua formação.

Bom apetite.

Para saber mais:



Referências:


Moreno Fernández, F. (2011): ¿Qué es ser un buen profesor o una buena profesora del Instituto Cervantes? Análisis de las creencias del alumnado, profesorado y personal técnico y directivo de la institución. Instituto Cervantes. Alcalá de Henares.

Ñeco Quiñones, M. (2005):  "El rol del maestro en un esquema pedagógico constructivista". Relatório apressentado no VI Encuentro Internacional y I Nacional de Educación y Pensamiento, México 2005.

Robalino Campos, M. e Körner, A. (2005): Condiciones de trabajo y salud docente.  Estudios de casos en Argentina, Chile, Ecuador, México, Perú y Uruguay. Oficina Regional de Educação da UNESCO para América Latina e o Caribe. Santiago de Chile.

sábado, 25 de outubro de 2014

Falar a ganhar

Entrevista pelo livro Falar a ganhar

Não é país para nós

Recentemente, num ato público, o Presidente Feijó instava a União Européia “a tomar boa nota do problema da demografia”, reconhecendo que a profunda crise demográfica da Galiza não tem a ver com a atual recessão económica, senão com a evolução da natalidade desde a década de oitenta.  Mais uma vez encontramo-nos perante a expressão de cinismo político, característico desta personagem e infelizmente sofremos a falha de iniciativa política e de vontade de governar.  O senhor Feijó indicava também que as soluções não são fáceis, mas sem a tomada de decisões durante todas estas décadas (convém lembrar que o PP dirigiu a Junta 26 dos 33 anos do atual enquadramento autonómico), estas só poderiam chegar da ação da divina providência, ou de que as galegas e os galegos atendam a chamada de atenção de um anterior presidente: “no puedo meter a un hombre y una mujer en la cama y decirles lo que tienen que hacer”.
Falando a sério, pessoalmente acho que estamos ante um dos três maiores problemas do nosso País.  Os outros dois grandes problemas seriam a falha de emprego da população mais jovem e o retrocesso no uso da língua galega na Galiza.  Para mim a ligação entre todos eles é evidente, mas também não observo grande preocupação por nenhum deles na oligarquia dirigente e na maioria dos meios de comunicação implantados ao nosso redor.
Focando a atenção na aparente preocupação do nosso presidente, os incentivos para solucionar a terrível crise demográfica poderiam ser de dois tipos: económicos e sociais.  Fazendo parte dos primeiros e deixando de lado as preferências individuais de cada um, de que tanto gostam os próprios economistas; os aspectos com maior incidência na fecundidade estão em relacionamento com o mercado de trabalho e o acesso à habitação.  Também desde o ponto de vista económico apareceriam os custos ligados a terem filhos.  Para além dos custos diretos de alimentação, educação, creches, cuidados globais, etc., encontramos os custos de oportunidade, em contradição com os anteriores, decorrentes do facto de trabalharem a mãe e o pai.

As lamentações do senhor Feijó resultam da sua total incapacidade para governar e da sua inoperância geral.  Com certeza, e sem desvalorizar os outros aspectos na cima indicados, o desemprego na Galiza não ajuda a abrandar a crise demográfica.  Mesmo contrariando o discurso oficial, se me é permitido o dado, na Galiza trabalham quase 205.000 pessoas menos que em 2007 (EPA, segundos trimestres de 2007 e 2014).  A maioria dos quais perderam o trabalho nestes sete anos fazem parte dos mais novos (quase 200.000), daqueles que poderiam ter filhos e ajudar a melhorar a situação demográfica.  Mais de 30 per cento dos galegos e mais de 20 per cento das galegas de 16 a 44 anos perderam o emprego nesta época.  A isto podemos acrescentar o facto de que apenas 57 e 54 per cento dos galegos e das galegas dessas idades a morar na Galiza trabalham, atualmente.  Tudo isto sem contarmos os quase 105.000, das idades indicadas, registrados no Padrão de Residentes do Estrangeiro desde 2009.  Por trás destes números estão as tragédias pessoais de muitas galegas e de muitos galegos sem futuro neste País.  Mas não sei se é preciso falar nisto, quando cada um tem os seus problemas.

Espírito de Angrois ou Pacto de Barrantes

Espírito de Angrois ou Pacto de Barrantes
Como era previsível o Presidente da Xunta utilizou a tragédia coletiva de Angrois para tirar proveito político.  Apresentar ao público a conduta da vizinhança de Angrois no acidente ferroviário como exemplo de unidade política face à dramática situação social e económica do País, resulta de um cinismo à altura dos dirigentes do Partido Popular.  De qualquer maneira, numa grande parte da população galega, muito necessitada de ouvir notícias animadoras, a mensagem pode funcionar, aparecendo os partidos da oposição como os inimigos da Galiza, sem vontade de alcançar acordos e de remar todos juntos com o Governo na mesma jangada.  Muitas pessoas fogem da verdade, como canta Ana Moura, thank you for tell me lies, e agradecem as mentiras.
Mas em que consiste o espírito de Angrois?  Como resulta evidente, na desaparição dos mecanismos do Estado e na ascensão do Povo organizado.  O segundo elemento acho não conta com detratores.  Define o comportamento exemplar do Povo Galego ante as repetidas tragédias vividas.  Em contrapartida, o vazio de governo é o resultado de uma conceição da política e do funcionamento da economia muito específico.  O laissez faire define esta atuação do Governo da Xunta.  Já seja na caça do veado, esquiando na neve ou navegando pelas Rias Baixas no iate de um narcotraficante, o que é importante é aparecer nos meios de comunicação o mais rapidamente possível, utilizando o cinismo habitual e desviando a responsabilidade para outro lado.
Sob o ponto de vista económico, passamos dos problemas pontuais à desfeita permanente.  O laissez faire é o neoliberalismo radical.
Diante desta situação os que propõem soluções concretas aos problemas do País desaparecem da cena.  Pesquisando na história, encontramos propostas como as enunciadas na atualidade para resolver os nossos problemas.  Assim, em 25 de setembro de 1930, Castelao, Otero Pedrayo, Basílio Losada, Vilar Ponte e outros assinaram o Pacto de Barrantes.  O documento refere que a causa fundamental dos problemas da Galiza está no centralismo político e a solução passa pela sua plena autonomia política e administrativa.  Nos nossos dias falamos em soberania como solução aos problemas presentes.  A coincidência resulta esmagadora.

Contudo, muitos naquela altura qualificaram o Pacto de Barrantes de absurdo por não ter em foco a defesa da República Espanhola, ainda por vir, mas remédio dos nossos males.  A história repete-se e os erros e as inseguranças trazem consequências negativas para muitos, muitos anos.