A economia contada desde a Galiza, para entendermos o que nos está a passar. Para mudarmos o que não gostamos. Para viver mais humanamente, com menos coisas e mais ideias.
sábado, 20 de dezembro de 2014
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
sábado, 22 de novembro de 2014
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
domingo, 9 de novembro de 2014
sábado, 8 de novembro de 2014
Para ser professor hoje
Receita dedicada ao professorado.
Os ingredientes do professor hoje são muito variados, mas não podem
faltar:
·
A
responsabilidade.
·
A capacidade de
trabalho.
·
O espírito
crítico.
·
A humildade.
·
A proximidade.
·
A tolerância.
·
O dom da
palavra.
·
A curiosidade
para progredir na sua formação.
Instruções:
Faz-se um refogado numa panela com a responsabilidade, a capacidade de
trabalho e o espírito crítico e deixa alourar durante anos, desta maneira é
possível obter um excelente ambiente para entrar na sala de aulas.
Depois junta humildade e proximidade e deixa ganhar cor, até que o molho
engrosse.
A seguir junta o molho grosso de humildade e de proximidade com o
excelente ambiente para entrar à sala estando pronto a leccionar aulas.
Quando esteja a ministrar aulas deve ser eloquente, lançando mão de dom
da palavra.
Para acabar a receita não esqueça ao sair do liceu mostrar curiosidade e
progredir com a sua formação.
Bom apetite.
Para saber mais:
Referências:
Entevista a José Antonio Marina em http://www.edu.xunta.es/eduga/572/entrevista/jose-antonio-marina
Moreno Fernández, F. (2011): ¿Qué es ser un buen profesor o una buena profesora del Instituto Cervantes? Análisis de las creencias del alumnado, profesorado y personal técnico y directivo de la institución. Instituto Cervantes. Alcalá de Henares.
Ñeco Quiñones, M. (2005): "El rol del maestro en un esquema pedagógico constructivista". Relatório apressentado no VI Encuentro Internacional y I Nacional de Educación y Pensamiento, México 2005.
Robalino Campos, M. e Körner, A. (2005): Condiciones de trabajo y salud docente. Estudios de casos en Argentina, Chile, Ecuador, México, Perú y Uruguay. Oficina Regional de Educação da UNESCO para América Latina e o Caribe. Santiago de Chile.
sábado, 25 de outubro de 2014
Não é país para nós
Recentemente, num ato público, o Presidente Feijó instava a União
Européia “a tomar boa nota do problema da
demografia”, reconhecendo que a profunda crise demográfica da Galiza não
tem a ver com a atual recessão económica, senão com a evolução da natalidade
desde a década de oitenta. Mais uma vez
encontramo-nos perante a expressão de cinismo político, característico desta personagem
e infelizmente sofremos a falha de iniciativa política e de vontade de
governar. O senhor Feijó indicava também
que as soluções não são fáceis, mas sem a tomada de decisões durante todas
estas décadas (convém lembrar que o PP dirigiu a Junta 26 dos 33 anos do atual
enquadramento autonómico), estas só poderiam chegar da ação da divina
providência, ou de que as galegas e os galegos atendam a chamada de atenção de
um anterior presidente: “no puedo meter a un hombre y una mujer en la cama
y decirles lo que tienen que hacer”.
Falando a sério, pessoalmente acho que estamos ante um dos três maiores
problemas do nosso País. Os outros dois
grandes problemas seriam a falha de emprego da população mais jovem e o
retrocesso no uso da língua galega na Galiza.
Para mim a ligação entre todos eles é evidente, mas também não observo
grande preocupação por nenhum deles na oligarquia dirigente e na maioria dos
meios de comunicação implantados ao nosso redor.
Focando a atenção na aparente preocupação do nosso presidente, os
incentivos para solucionar a terrível crise demográfica poderiam ser de dois
tipos: económicos e sociais. Fazendo
parte dos primeiros e deixando de lado as preferências individuais de cada um,
de que tanto gostam os próprios economistas; os aspectos com maior incidência
na fecundidade estão em relacionamento com o mercado de trabalho e o acesso à
habitação. Também desde o ponto de vista
económico apareceriam os custos ligados a terem filhos. Para além dos custos diretos de alimentação, educação,
creches, cuidados globais, etc., encontramos os custos de oportunidade, em
contradição com os anteriores, decorrentes do facto de trabalharem a mãe e o
pai.
As lamentações do senhor Feijó resultam da sua total incapacidade para
governar e da sua inoperância geral. Com
certeza, e sem desvalorizar os outros aspectos na cima indicados, o desemprego
na Galiza não ajuda a abrandar a crise demográfica. Mesmo contrariando o discurso oficial, se me
é permitido o dado, na Galiza trabalham quase 205.000 pessoas menos que em 2007
(EPA, segundos trimestres de 2007 e 2014).
A maioria dos quais perderam o trabalho nestes sete anos fazem parte dos
mais novos (quase 200.000), daqueles que poderiam ter filhos e ajudar a
melhorar a situação demográfica. Mais de
30 per cento dos galegos e mais de 20 per cento das galegas de 16 a 44 anos
perderam o emprego nesta época. A isto
podemos acrescentar o facto de que apenas 57 e 54 per cento dos galegos e das
galegas dessas idades a morar na Galiza trabalham, atualmente. Tudo isto sem contarmos os quase 105.000, das
idades indicadas, registrados no Padrão de Residentes do Estrangeiro desde
2009. Por trás destes números estão as
tragédias pessoais de muitas galegas e de muitos galegos sem futuro neste País.
Mas não sei se é preciso falar nisto,
quando cada um tem os seus problemas.
Espírito de Angrois ou Pacto de Barrantes
Espírito de Angrois ou Pacto de Barrantes
Como era previsível o Presidente da Xunta utilizou a tragédia coletiva
de Angrois para tirar proveito político.
Apresentar ao público a conduta da vizinhança de Angrois no acidente
ferroviário como exemplo de unidade política face à dramática situação social e
económica do País, resulta de um cinismo à altura dos dirigentes do Partido
Popular. De qualquer maneira, numa
grande parte da população galega, muito necessitada de ouvir notícias
animadoras, a mensagem pode funcionar, aparecendo os partidos da oposição como
os inimigos da Galiza, sem vontade de alcançar acordos e de remar todos juntos
com o Governo na mesma jangada. Muitas
pessoas fogem da verdade, como canta Ana Moura, thank you for tell me
lies, e agradecem
as mentiras.
Mas em que consiste o espírito de Angrois? Como resulta evidente, na desaparição dos
mecanismos do Estado e na ascensão do Povo organizado. O segundo elemento acho não conta com
detratores. Define o comportamento
exemplar do Povo Galego ante as repetidas tragédias vividas. Em contrapartida, o vazio de governo é o
resultado de uma conceição da política e do funcionamento da economia muito
específico. O laissez faire define esta atuação do Governo da Xunta. Já seja na caça do veado, esquiando na neve
ou navegando pelas Rias Baixas no iate de um narcotraficante, o que é
importante é aparecer nos meios de comunicação o mais rapidamente possível, utilizando
o cinismo habitual e desviando a responsabilidade para outro lado.
Sob o ponto de vista económico, passamos dos problemas pontuais à
desfeita permanente. O laissez faire é o neoliberalismo
radical.
Diante desta situação os que propõem soluções concretas aos problemas do
País desaparecem da cena. Pesquisando na
história, encontramos propostas como as enunciadas na atualidade para resolver
os nossos problemas. Assim, em 25 de
setembro de 1930, Castelao, Otero Pedrayo, Basílio Losada, Vilar Ponte e outros
assinaram o Pacto de Barrantes. O
documento refere que a causa fundamental dos problemas da Galiza está no
centralismo político e a solução passa pela sua plena autonomia política e
administrativa. Nos nossos dias falamos
em soberania como solução aos problemas presentes. A coincidência resulta esmagadora.
Contudo, muitos naquela altura qualificaram o Pacto de Barrantes de
absurdo por não ter em foco a defesa da República Espanhola, ainda por vir, mas
remédio dos nossos males. A história
repete-se e os erros e as inseguranças trazem consequências negativas para
muitos, muitos anos.
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